terça-feira, 3 de maio de 2011

Justiça começa a decidir futuro dos acusados, hoje

Fred Carvalho - enviado a Caicó

A Justiça do Rio Grande do Norte começa a decidir hoje pela manhã o futuro dos dois homens responsabilizados pela polícia como sendo os assassinos do radialista Francisco Gomes de Medeiros, o F. Gomes. João Francisco dos Santos, o “Dão”, e Lailson Lopes, o “Gordo da Rodoviária”, devem ser ouvidos pelo juiz Criminal de Caicó, Luiz Cândido de Andrade Villaça em audiência de instrução e julgamento, marcada para ser iniciada às 9h. Além deles, o magistrado também deve colher os depoimentos de 14 testemunhas.

divulgaçãoRadialista F. Gomes foi assassinado em outubro de 2010, em CaicóRadialista F. Gomes foi assassinado em outubro de 2010, em Caicó
F. Gomes foi morto a tiros na noite de 18 de outubro do ano passado em frente a casa dele, em Caicó. No dia seguinte, a polícia prendeu Dão, que confessou o assassinato. Os responsáveis pela investigação demoraram alguns meses para chegar a Laílson, a quem atribuíram o planejamento do crime.

Para o promotor criminal Geraldo Rufino, tanto Dão, quanto Lailson devem ser pronunciados na audiência de hoje e, com isso, serem levados a júri popular. “A não ser que alguma testemunha ou os próprios réus apresentem algo de novo, a probabilidade de os dois irem a júri popular é grande”, disse o representante do Ministério Público na tarde de ontem à TRIBUNA DO NORTE.

Embora a expectativa seja de que a decisão do juiz Luiz Cândido seja proferida ainda hoje, ele mesmo adiantou a possibilidade dessa audiência se estender até amanhã. “Estamos prontos para esta audiência desde a semana passada, quando concluímos a intimação das partes e solicitamos reforço na segurança do fórum à PM. Só não sei se terei condições de proferir a sentença amanhã (hoje), devido à quantidade de testemunhas que vou ouvir, além dos dois réus”, antecipou o juiz. Luiz Cândido vai colher os depoimentos dos réus e de 14 testemunhas. Outras duas testemunhas arroladas serão ouvidas através de cartas precatórias - o perito criminal do Itep Luiz Antônio Duarte Lima e o traficante e assaltante Valdir Souza do Nascimento, que está preso em Alcaçuz.

Para a advogada, proposta para matar foi “brincadeira”

A advogada Maria da Penha Batista de Araújo, que defende Lailson Lopes no processo, admitiu que o cliente dela propôs a João Francisco dos Santos (Dão) que executasse o radialista F. Gomes no ano passado. Mas ela afirmou que “isso não passou de uma brincadeira”.

“Todos aqui em Caicó conhecem o Gordo da Rodoviária, que é uma pessoa excelente e que, inclusive, era amigo de F. Gomes. Ele não tinha motivo algum para mandar matar o F. Gomes. Realmente, cerca de três meses antes da morte do radialista o Lailson perguntou se Dão não gostaria de matar o F., mas isso foi só brincadeira mesmo”, alegou a advogada.

Segundo Maria da Penha, o cliente dela fez a “brincadeira” numa época em que Dão estaria “muito chateado com F. Gomes”. “Olha, o F. Gomes foi o melhor jornalista que eu conheci. Tive o privilégio de conhecê-lo. Era um homem íntegro, de opinião formada. Mas ele era muito crítico e, no ano passado, tava metendo o pau no Dão na rádio por causa de umas coisas erradas que o Dão havia feito. Foi aí que o Gordo soltou a brincadeira. Não passou de um mal entendido, que será esclarecido hoje”, frisou.

Recorrer

Mesmo não acreditando que Lailson seja sentenciado, Maria da Penha já adiantou que, caso haja uma decisão em contrário, irá recorrer. “Se ele for sentenciado vou recorrer sim. É inadmissível que um homem de bem seja condenado sendo inocente”, concluiu.

Na hipótese de Lailson ser sentenciado e a defensora realmente recorrer dessa decisão, a possibilidade de o júri popular ser marcado ainda para este ano passam a ser remotas.

A TRIBUNA DO NORTE chegou a entrar em contato com o advogado de Dão, Rivaldo Dantas de Farias, mas ele se negou a dar entrevista por telefone.

Cronologia - Datas importantes na investigação do caso

18/10/2010 – Noite de uma segunda-feira, o radialista F. Gomes é assassinado quando estava sentado numa cadeira, na calçada de sua casa, no bairro Paraíba, em Caicó, município a 278 km de Natal.

19/10/2010 – A juíza Cínthia Cibele Diniz de Medeiros decreta a prisão temporária por 30 dias do réu João Francisco dos Santos, o “Dão”.

10/11/2010 – O juiz substituto José Vieira de Figueiredo Júnior prorroga a prisão temporária do réu João Francisco dos Santos.

12/11/2010 – Expedição de mandado de prisão para o réu João Francisco dos Santos para o Presídio Provisório Raimundo Nonato Fernandes, em Natal.

10/01/2011 – O juiz Luiz Cândido de Andrade Villaça recebe a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) contra o réu João Francisco dos Santos, com a decretação de sua prisão preventiva.

23/02/2011 – Justiça estabelece a data de 3 de maio de 2011 para a audiência de instrução e julgamento do réu João Francisco dos Santos e oitiva de testemunhas.

05/04/2011 – O juiz Luiz Villaça recebe denúncia aditiva contra o réu Lailson Lopes oferecida pelo MPE.

03/05/2011 - Data da audiência de instrução e julgamento.

Fonte: Tribuna do Norte

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